Só Templates

Créditos



Layout by



quinta-feira, 24 de março de 2011

AULA 2

      DAS FONTES INDO-EUROPÉIAS À ERA ROMÂNTICA
(Da Narrativa Primordial à Literatura Infantil Clássica)

- a literatura ocidental constitui uma unidade reconhecida que compreende a literatura de toda Europa, Rússsia, Estados Unidos da América e da América do Sul; (R. Wellek & Warren, Teoria da Literatura, p. 62);
- as origens da Literatura Infantil, hoje conhecida como "clássica” (Novelística Popular Medieval) têm suas raízes mais remotas em certas fontes orientais (Ín­dia) ou, mais precisamente, indo-européias (Nelly Novaes Coellho);
- os livros consagrados como clássicos infantis, os contos-de-fada ou contos maravilhosos são narrativas anônimas, portanto Perrault, Grimm ou Andersen, ou as fábulas de La Fontaine não são os verdadeiros autores;
- são dos escri­tores que, desde o século XVII, interessados na literatura folclórica criada pelo povo de seus respectivos países, reuniram as estórias anônimas, que há séculos vinham sendo transmitidas, oralmente, de geração para geração, e as transcreveram por escrito;
- registradas em livro, tais coletâneas receberam os nomes de seus recriadores e continuaram a se difundir através do tempo e do espaço;
- a partir do confronto das invariantes/ variantes narrativas (conservadas pela memória privilegiada de alguns contadores-de-estórias) e, essencialmente, a partir dos docu­mentos encontrados em diferentes regiões: inscrições em pedras, em tabulinhas de argila ou de vegetal; escrituras em papiro ou perga­minho, em rolos ou em folhas presas por um dos lados ou ainda em grossos livros manuscritos (cuja preciosidade era defendida com grossas correntes e cadeados...), estudiosos levantaram hipóteses;
- Literatura Primordial: aquela que, embora não transcrita em material perene, atravessou séculos, preservada pela memória dos povos (narrativas de caráter mágico ou fantasioso);
- o impulso de contar estarias deve ter nascido no homeim no momento em que ele sentiu necessidade de comunicar aos outros certa experiência sua, que poderia ter significação para todos;
- a gênese da Literatura Popular/In­fantil ocidental está nas longínquas narrativas pri­mordiais, cujas origens remontam a fontes orientais bastante hetero­gêneas e cuja difusão, no ocidente europeu, se deu durante a Idade Média, através da transmissão oral;
- das narrativas primordiais orientais nascem as narrativas medievais arcaicas, que acabam se popularizando (na Europa e depois em suas colônias americanas, como o Brasil) e se transfor­mando em literatura folclórica (ainda hoje viva, circu­lando principalmente no Nordeste, através da literatura de cor­del) ou em literatura infantil (através dos registros feitos por escri­tores cultos, como Penault, Grimm, ctc.)

NARRATIVAS PRIMORDIAIS ORIENTAIS ---->
---->NARRATIVAS MEDIEVAIS ARCÁICAS--->
----->LITERATURA FOLCLÓRICA --->LITERATURA DE CORDEL (E) LITERATURA INFANTIL
Observação: O desenho com a árvore real o blog não está aceitando publicar, logo para melhorar o  entendimento, resume-se que as narrativas primordiais orientais originaram as narrativas arcáicas, as quais deram origem a literatura folclórica que se bifurcou em literatura de cordel ou literatura infantil.
- versões folclóri­cas de certas narrativas apresentam inúmeras variantes (dependendo das regiões onde se arraigaram); enquanto as versões infantis reproduzem-se praticamente inalteradas, nas várias edições que se sucedem (mobilidade da vida, resultante da transmissão oral, con­traposta à fixidez do texto literário, determinada pela escrita);

FONTES ORIENTAIS:
       Pantcha-tantra (cinco livros) (conjunto de textos sagrados mais importante da Antiguidade, do qual só restam fragmentos, e que reunia textos usados pelos pre­gadores budistas, por volta dos sécs. V e VI a.C.) e ao Mahabarata (longa epopéia primitiva indiana, surgida por volta do séc. VIII a.C.)
      Calila e Dimna - coletânea mais antiga das narrativas que estão nas origens da Literatura Popular européia;  deve ter sur­gido na Índia, por volta do século V antes de Cristo, e dali saído pela primeira vez, no século VI d.C., através de uma tradução persa
      Sendebar - originária da Índia, essa coletânea do fabulário oriental rivalizou com Calila e Dimna, como fonte da narrativa popular ocidental; penetrou na Península Ibérica ao mesmo tempo que Calila e Dimna, através da versão castelhana, feita diretamente do árabe, por ordem do Infante Don Fradique (irmão de Afonso X, o Sábio); devido à perda das versões anteriores em sânscrito, persa e mesmo da árabe, que lhe serviu de fonte, a versão castelhana tornou-se a forma mais pura e antiga da célebre coletânea; foi fonte da divulgação da imagem negativa da mulher, vista como astuta, mentirosa, traidora, ambiciosa, que mais tarde, na novelística ocidental, vai alternar com a imagem positiva da mulher-anjo, de inspiração cristã, dando origem à imagem dual que define a mulher, até hoje, dentro da concepção cristã ocidental;- Sendebar (ou Livro dos enganos das mulheres) apresenta a estrutura-em-cadeia característica de Calila e Dimna e que vai ser extremamente popular no Ocidente;
       Barlaam y Josafat - novela mística, cuja forma ocidental e cristã, em versão grega, foi atribuída inicialmente a S. Juan Damasceno, grande Padre da Igreja Oriental, no século VIII;- descobriu-se depois que fora escrita por um outro Juan que, um século antes, fora monge no convento de San Sabas, perto de Jerusalém; foi bastante divulgada através da tradução latina, hoje, reconhe­cida como uma versão cristã da lenda de Buda; a influência de Barlaam e Josafat aparece claramente em: El Conde Lucanor de D. Juan Manuel; Libro de Bestias de Rai­mundo Lúlio; Barlaam y Josafá de Lope de Vega e La Vida es Suenõ de Calderon de Ia Barca;
      As Mil e Uma Noites - a mais célebre compilação de contos orientais que circula no mundo ocidental; a forma atual deve ter-se completado em fins do século XV ou princípios do século XVI;- começou a se divul­gar no mundo europeu, no início do século XVIII, quando Galland traduz para o francês uma primeira coletânea {1704); Galland "expurgou-a" de algumas narra­tivas menos "exemplares" (ou mais licenciosas) e incluiu outras, de origem turca ou persa; concluiu-se que existe nesse famoso livro não só legítima matéria árabe ou síria, como, também, elemen­tos estranhos aos costumes muçulmanos, como rastros de contos fantásticos indianos, bem como de gentilismo, magia e demonologia persa;- sua origem é heterogénea e exótica;-  não foi conhecida no mundo europeu, até princípios do século XVIII e obviamente não exerceu nenhuma influência direta na novelística ocidental arcáica;- estrutura em cadeia idêntica a de Calila e Dima e Sendebar;- se difundira por todo o mundo ocidental, através das várias literatu­ras populares, e diversos de seus episódios passaram a ser divulga­dos como Literatura Infantil;
      Hitopadesa ou Instrução proveitosa- coletânea de caráter "exemplar" ou moralizador, derivada das narrativas da Pantschatantra; na Índia, essa coletânea ficou célebre como compêndio de leitura edificante;- origi­nalmente escrita em sânscrito teve inúmeras traduções em línguas modernas;

O FIO DA NARRATIVA NO TEAR DA HISTÓRIA
Leitura de textos (Xerox) / análise/comentários
Pantcha-tantra
Conta-se que o ministro Sumati, diante do rei Amaracakti,[1]considerado a arvore kalpat[2], de todos os necessitados e profundo conhecedor de todas as artes, que manifestava profunda preocupação em despertar a inteligência de seus três filhos, deveras ignorantes e desinteressados pela ciência, propôs a entrega dos príncipes a um brâmane Visnucarman, proficiente em todas as ciências, Ao ser convocado pelo rei, Visnucarman faz a promessa de tornar os jovens versados no prazo de seis meses. Então compôs cinco livros – A desunião de Amigos, A aquisição de amigos, A história dos corvos e das corujas, A Pedra do Bem Conquistado e a Ação Impensada para que os príncipes fossem instruídos. E assim em seis meses, eles alcançam o que fora previsto. Desde então, esses cinco livros, denominados Pantcha-tantra e considerados um tratado de moral, circulam pelo mundo com a proposição de educar os jovens.
Pertencem a essa ambientação do Pantcha-tantra, as narrativas: O eremita, a jarra de manteiga e mel e a Tartaruga Kambugriva[3].
Os outros textos mais contemporâneos nos permitirão depreender o diálogo que estabelecem as diferentes versões da tradição indiana ao longo do tempo, no tecido desse universo literário a que chamamos Literatura Infantil e Juvenil. 


      FÁBULA

Do sentido primeiro do substantivo - conversa, invenção - decorrem outros como historieta, narrativa breve, fictícia e mentirosa, Assim, tende a confundir-se com a parábola, com o mito, com a lenda, apólogo, conto de fadas. No entanto, é importante lembrar que cada qual guarda sua especificidade. A fábula, por exemplo, como as que apresentamos, constitui um texto narrativo com duas partes ou dois discursos bem distintos e evidentes: a estória da irrealidade (discurso figurativo) das personagens fictícias (geralmente animais) e a moral da estória (discurso temático da realidade).
                Para estabelecer o elo entre esses dois discursos colocam-se marcadores lingüísticos tais como: moral:...”a fabula mostra”.......”por isso eu digo”... Tais elementos assinalam a presença de outras vozes, outros pontos de vista que determinam o tratamento dado ao conteúdo, com a finalidade de confrontá-lo com o de outros textos, com outras maneiras de ver o mundo. Portanto, constituem formas de percepção de problemas que enfrentamos em situações diversas, contribuem para a compreensão de contradições tão comuns em relacionamentos e fornecem pistas para solução de crises.




[1] Amaraçati – que tem poder imortal
[2] arvore kalpat- uma das árvores do paraíso de Indra
[3] a versão para o português encontra-se no livro.Pnchatantra de Maria Valiria Vargas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário